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Flor da Serra do Sul, PR °min °max

Excelência na produção

Com vacas campeãs na produção de leite e em breve ordenha robotizada a Cabanha Krenchinski de Flor da Serra do Sul é exemplo de inovação

Quando falamos em produção de leite e agricultura familiar, para muitos, a imagem que se desenha é de uma pacata propriedade com algumas vacas de leite e uma pequena produção manual. No entanto, em uma era onde a tecnologia e a inovação estão presentes em todas as áreas, no campo não é diferente. É justamente por saber aliar a tecnologia e por ter feito um bom trabalho de base, que hoje, a Cabanha Krenchinski é exemplo de excelência em produção mesmo em um pequeno espaço de terra.

Localizada na linha Rio Verde, interior de Flor da Serra do Sul, a Cabanha Krenchinski é tocada por Mário, pela esposa Terezinha e pelo filho Giovani, além de um casal de funcionários que auxiliam na produção. Em uma pequena área de terra, produz-se o necessário para manter as 130 vacas de leite, das quais 65 estão em lactação. O diferencial da propriedade é o nível de produção dos animais que chega a 2,3 mil litros diários, com pretensão de alcançar os 3 mil litros de produção diária.

No dia 7 de junho a Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da raça Holandesa premiou os melhores do ano, em um evento que aconteceu na cidade de Castro. Na premiação, duas vacas da Cabanha Krenchinski foram premiadas como recordistas nacionais no ano de 2018.  A primeira foi a Nakamura (2 anos sênior) que produziu 18 mil litros em 365 dias e a Shaiene (4 anos sênior) que produziu 20,5 mil litros de leite. “Vocês todos sabem do nosso empenho e dedicação na pecuária leiteira, o quanto trabalhamos para chegar esse dia, amamos o que fazemos, mas reconhecemos que o mérito não é só nosso, essa linda história está sendo escrita por várias mãos. Esse é o momento especial de agradecer a todos que sempre estiveram ao nosso lado e foram essências na nossa vida”, afirmaram os proprietários em uma publicação de agradecimento.

A mudança começou entre 2005 e 2006, quando se iniciou uma transformação na forma como a propriedade era conduzida e aos poucos foram sendo feitas pequenas adequações, mudanças e investimentos. Foi nessa época, quando tinham um total de 20 animais e produziam em média 80 litros de leite por dia, que a propriedade recebeu a primeira visita técnica de Carlos Eduardo Carvalho. “Já falávamos da importância da gestão da atividade, implantando planilhas de custo na fazenda em paralelo com o aumento da fertilidade do solo, melhoria genética e melhoria nos processos de manejo e qualidade do leite. Permaneci visitando a família, mensalmente, até o final de 2010, quando vim para Goiás e deixei o Sul do Brasil. Foram cinco anos de muito trabalho mas também de muita alegria e satisfação por verem sua evolução e chegarem, à época, em 600 litros diários”, afirmou o técnico.

A propriedade tem um histórico de 30 anos trabalhando com inseminação o que garante uma excelência em qualidade genética. Então começou-se a trabalhar para melhorar o pastejo que é a base tudo. Primeiro trabalhava-se com o potreiro, depois passou a ser alimentação à base de pasto, cana de açúcar com ureia, e então implantou-se um sistema de pastejo rotativo em piquetes com a irrigação, em seguida começou a trabalhar com silagem, posteriormente as vacas foram levadas para o semi confinamento e em seguida mudou-se para confinamento total com ordenha canalizada. Agora está em processo final de implantação na propriedade a ordenha robotizada.

A implantação do robô

Isso é uma questão que vem sendo trabalhada na propriedade há pelo menos três anos. Giovani realizou visitas técnicas e dia de campo em propriedades que já trabalham com a ordenha robotizada, como em Campo Erê, além de realizar visitas na empresa De Laval. Ele explica que foi necessário fazer algumas modificações na estrutura da propriedade para a implantação do sistema, desde a rede elétrica até o espaço para os animas. Já faz 90 dias que a máquina está na propriedade em processo de montagem, a expectativa é que dia 25 de junho se inicie a ordenha robotizada.

“Esse nosso equipamento é no sistema 3d, é o primeiro robô desses implantado no Paraná e o segundo no Brasil a entrar em operação. O modelo antigo que tinha no mercado o braço identificava o teto da vaca à laser, então tinha que procurar toda vez para encaixar a ordenha, e esse que temos é um sistema 3d mais moderno, com câmera. Então na primeira vez que o animal vem o robô grava a colocação da ordenha de animal por animal, e quando o animal entra pela segunda vez o sistema já sabe exatamente onde está a colocação de tetos, o que o torna de 15 a 20% mais eficiente”, detalha Giovani.

O contrato com a empresa será de sete anos. Se contar os investimentos realizados com a estrutura, que ficaram na faixa dos R$ 250 mil, o aluguel do robô, os equipamentos para montar e a manutenção do sistema por sete anos, o investimento total fica em torno dos R$ 1 milhão. O custo mensal gira em torno dos R$ 9 mil. Através do robô, absolutamente toda a produção será monitorada, desde qualidade do leite, quantidade, alterações e demais aspectos. “Vai tempo pra gente aprender a lidar com tudo, mas será tudo detalhado nos mínimos detalhes, de animal por animal”, enfatiza.

O que se espera, além do aumento da produção que poderá contar agora com até três ordenhas diárias por animal, é uma melhora na qualidade de vida da família. “Ainda teremos muito trabalho, mas já vai dar uma boa folga, sábado, domingo, feriado, não precisar estar acordando de madrugada todo dia para conduzir a produção. A máquina vai estar funcionando 24h e qualquer alteração o sensor detecta e nos comunica através do celular. Além do ganho na qualidade do leite, nós vamos ganhar em qualidade de vida e os animais também, por que o sistema comanda a alimentação e bonifica a vaca que mais produz”, enfatiza.