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Equoterapia já mostra resultados

Em três meses de trabalho realizado com os apaeanos os professores afirmam que a melhora é visível

Há três meses iniciou na Apae Flor da Vida, de Flor da Serra do Sul, as aulas de equoterapia. Quem está coordenando os trabalhos é a fisioterapeuta Kethlin do Nascimento que acompanha os alunos. Ela explica que são atendidos 20 alunos por semana.

A diretora da Apae, Elizabete Caron detalha que as aulas estão sendo realizadas no espaço da campeira do CTG, com três cavalos cedidos pela entidade. “Inicialmente havíamos começado o trabalho com pôneis, mas não conseguimos amansar eles o suficiente e agora demos seguimento ao projeto em parceria com o CTG”, explica a diretora.

Ao longo dos três meses de atendimento as professoras já percebem alguns avanços nos alunos. “Temos alguns alunos que desenvolveram até mesmo a questão da disciplina, por que a interação com o cavalo proporciona que eles tenham esse afeto o estímulo para se tornarem mais calmos através da socialização”, afirma a fisioterapeuta.

Ela cita o exemplo da aluna Elô, que tem paralisia cerebral e praticamente não tem controle de tronco cervical. “Mas quando ela monta no cavalo consegue ficar com a postura reta”, comemora a fisio.

Kethlin explica que além dos ganhos físicos há também ganhos na socialização. “O cavalo proporciona um trabalho como um todo, estimulando o físico, emocional e cognitivo. Outro exemplo é da aluna Raiane que é diagnosticada com o transtorno de espectro autista. No começo ela nem conversava comigo, e agora ela fala algumas palavras, e apresentas ainda uma melhora em sala de aula e no comportamento em si”, exemplifica a fisio.

Na semana que vem todos os alunos vão dar banho no cavalo, como forma de fortalecer o vínculo com o animal. “A Raiane é uma pessoa que não gosta que mexam no cabelo dela, e então estamos trabalhando isso com ela através do cavalo, mostrando que ele permite que ela penteie as crinas dele, que se aproxime, e mexa, é uma forma de estímulo”, conta Kethlin.

Conforme elas os pais dos alunos comentam que eles estão mais calmos em casa, disciplinados, e apresentam uma melhora no desempenho dentro do ensino regular. “Os pais do Rafinha, por exemplo, que o acompanham nas sessões, achavam que ele nem ia aceitar montar no cavalo, e ficaram impressionados por que ele não parou de rir a sessão toda”, destaca a fisioterapeuta.

A diretora da escola enfatiza os benefícios já alcançados. “Estamos amando, já vemos muitos resultados nesse trabalho com os alunos. É fantástico, são pequenos detalhes e avanços que vão fazendo a diferença”, enfatiza.

O que é equoterapia?

É um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência ou com necessidades especiais.

Na equoterapia, o cavalo atua como agente promotor de ganhos a nível físico e psíquico. A atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio.

Nova Lei

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou no mês passado a lei que regulamenta a equoterapia. Em publicação feita no Diário Oficial da União (DOU), a prática deverá ser adotada mediante parecer favorável de avaliação médica, psicológica e fisioterápica, além de ser obrigatório a formação de uma equipe composta por um médico veterinário e um profissional de equitação, podendo, de acordo com o objetivo do programa, ser integrado por outros profissionais.

Nota Paraná

O recurso que a Apae está utilizando para pagar a fisioterapeuta é através do programa Nota Paraná, que busca incentivar o consumidor a exigir o documento fiscal no momento de uma compra e, assim, poder receber parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido pelo estabelecimento. Podem participar todas as pessoas físicas que possuam CPF e entidades de direito privado sem fins lucrativos que atuem nos ramos de atividades de assistência social, cultural, defesa e proteção animal, desportiva e saúde. Dessa forma o que a Apae pede é que quem quiser contribuir com a entidade peça a nota fiscal na hora da compra, mas não inclua o CPF na nota, traga ela até a Apae para que a entidade possa pedir o reembolso do imposto.